Vivemos um momento ímpar na sociedade brasileira. Não que tenhamos hoje uma visão diferente das coisas, mas exacerbamos as nossas distorções morais de uma forma nunca vista anteriormente na história do Brasil.
Distorções morais fazem parte da gênese do nosso povo, entretanto nossa falácia moral era sempre praticada com um discurso diferenciado onde evitávamos explicitar nossa franca simpatia pelo torto, pelo não convencional. A nossa liberalidade, a capacidade de conviver com situações-limite, com a incerteza do futuro, com a violação dos nossos direitos mais básicos está transformando o nosso povo num contingente de desiludidos. Não confiamos nos políticos, nos religiosos, na família, enquanto instituição, não mais olhamos a nossa seleção de futebol com aquela paixão e ilusão de perfeição, os nossos jovens esperam muito pouco do futuro e nós somos responsáveis por essa situação. Somos filhos da repressão e como tal reproduzimos um discurso ideológico de “liberdade” que desaguou na permissividade. “Afrouxamos” os limites para propiciarmos a capacidade de escolhas que não tivemos. Fomos complacentes com a violência quando ainda podíamos contê-la no seu nascedouro, acreditávamos que o homem era bom e esquecemos que a sociedade doente termina por corrompê-lo. Soltamos nossas crianças na vida e não cobramos políticas públicas para a inclusão das mesmas na realidade distorcida que vivemos. Cobramos ações dos políticos mas tentamos todos os dias nos dar bem com o cada vez mais forte jeitinho brasileiro, nos enchemos de drogas esquecendo que assim estamos fortalecendo a “geração de rendas” no mercado informal do tráfico, que oferece talvez a única forma de “sobrevivência” para os nossos jovens e crianças que abandonamos e depois queremos que o governo resolva o problema que nós fomentamos. Sim temos o livre arbítrio! Podemos levantar a bandeira que bandido é bandido e mocinho é mocinho. Nós temos escolha(?). Será que temos mesmo? Você que está cursando sua faculdade com dificuldade ou mesmo teve que largar por não poder pagar, que não teve o suporte necessário para cursar o ensino médio e fundamental em escolas de excelência e perdeu a chance de entrar em uma Universidade pública, onde está a elite da elite intelectual, teve escolha? Você que sempre precisou trabalhar e estudar e até para xerocar os textos passados em sala de aula teve que “lutar”bastante, teve escolha? As nossas escolhas foram nossas ou ditadas pelas circunstancias? Não sei, não posso responder mas afirmo que as minhas escolhas nem sempre foram minhas, mas aquelas que a vida me ofereceu. Mas nem tudo está perdido, nós podemos mudar a situação, aliás só nós podemos.
Quando assistia “Tropa de elite”(praticando a minha cota de contravenção já que era uma cópia pirata) entendi o sucesso da mensagem. Nós queremos solução, não importa de que forma, cansamos da impotência. Nós não temos o super-homem americano mas temos o policial que antes de tudo é um brasileiro vivendo nossas próprias contradições morais. Chega de sociologismo para entender o contexto do marginal idealizando e romantizando, chega de acharmos que estamos do lado bom da sociedade, chega de esperar que políticos salvem nossa pátria, não há mais tempo para esperar. Essa é uma guerra sem vencedores. Todos nós perderemos enquanto estivermos presos na nossa esperança messiânica, tão própria do nosso povo e tão “confortável” para nós que podemos delegar a responsabilidade, também nossa.
Distorções morais fazem parte da gênese do nosso povo, entretanto nossa falácia moral era sempre praticada com um discurso diferenciado onde evitávamos explicitar nossa franca simpatia pelo torto, pelo não convencional. A nossa liberalidade, a capacidade de conviver com situações-limite, com a incerteza do futuro, com a violação dos nossos direitos mais básicos está transformando o nosso povo num contingente de desiludidos. Não confiamos nos políticos, nos religiosos, na família, enquanto instituição, não mais olhamos a nossa seleção de futebol com aquela paixão e ilusão de perfeição, os nossos jovens esperam muito pouco do futuro e nós somos responsáveis por essa situação. Somos filhos da repressão e como tal reproduzimos um discurso ideológico de “liberdade” que desaguou na permissividade. “Afrouxamos” os limites para propiciarmos a capacidade de escolhas que não tivemos. Fomos complacentes com a violência quando ainda podíamos contê-la no seu nascedouro, acreditávamos que o homem era bom e esquecemos que a sociedade doente termina por corrompê-lo. Soltamos nossas crianças na vida e não cobramos políticas públicas para a inclusão das mesmas na realidade distorcida que vivemos. Cobramos ações dos políticos mas tentamos todos os dias nos dar bem com o cada vez mais forte jeitinho brasileiro, nos enchemos de drogas esquecendo que assim estamos fortalecendo a “geração de rendas” no mercado informal do tráfico, que oferece talvez a única forma de “sobrevivência” para os nossos jovens e crianças que abandonamos e depois queremos que o governo resolva o problema que nós fomentamos. Sim temos o livre arbítrio! Podemos levantar a bandeira que bandido é bandido e mocinho é mocinho. Nós temos escolha(?). Será que temos mesmo? Você que está cursando sua faculdade com dificuldade ou mesmo teve que largar por não poder pagar, que não teve o suporte necessário para cursar o ensino médio e fundamental em escolas de excelência e perdeu a chance de entrar em uma Universidade pública, onde está a elite da elite intelectual, teve escolha? Você que sempre precisou trabalhar e estudar e até para xerocar os textos passados em sala de aula teve que “lutar”bastante, teve escolha? As nossas escolhas foram nossas ou ditadas pelas circunstancias? Não sei, não posso responder mas afirmo que as minhas escolhas nem sempre foram minhas, mas aquelas que a vida me ofereceu. Mas nem tudo está perdido, nós podemos mudar a situação, aliás só nós podemos.
Quando assistia “Tropa de elite”(praticando a minha cota de contravenção já que era uma cópia pirata) entendi o sucesso da mensagem. Nós queremos solução, não importa de que forma, cansamos da impotência. Nós não temos o super-homem americano mas temos o policial que antes de tudo é um brasileiro vivendo nossas próprias contradições morais. Chega de sociologismo para entender o contexto do marginal idealizando e romantizando, chega de acharmos que estamos do lado bom da sociedade, chega de esperar que políticos salvem nossa pátria, não há mais tempo para esperar. Essa é uma guerra sem vencedores. Todos nós perderemos enquanto estivermos presos na nossa esperança messiânica, tão própria do nosso povo e tão “confortável” para nós que podemos delegar a responsabilidade, também nossa.
Vamos sim criticar, elogiar um filme brasileiro que nos joga uma realidade na cara, mas vamos buscar soluções: primeiro para as nossas comunidades, cidades, estado. Vamos discutir nas nossas escolas, universidades, saíamos da inércia e de olharmos para nossos umbigos, não haverá mudança se não partir do povo. E nós somos o povo!