UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA PARA UMA REALIDADE TRANSLÓGICA
Sempre tive aulas expositivas. Professores que a mim pareciam tão distantes da sala de aula como distantes pareciam os assuntos que me obrigavam a aprender. Perguntei por muitas vezes para que serviriam tais conhecimentos e não sem uma certa tristeza (ou frustração) constatei que pouco serviram para minha vida. Antes tivesse aprendido a cozinhar ou arrumar bem um guarda-roupa que, latim, trigonometria, etc.
Não fique chocado com isso. Como professor (e estudante que foi) entende bem o que estou dizendo. Na verdade, os conhecimentos de sala de aula estão distanciados das nossas realidades que provocam pouco ou nenhum interesse aos nossos alunos.
Saímos da escola (ou da universidade) segurando uma colcha de retalhos e não sabemos exatamente o que fazer com ela. Nosso maior problema é pensar e levar a pensar.
Passamos uma infinidade de horas estudando pensadores de outras partes do mundo, que solucionaram problemas de suas épocas, mas não ensinamos aos nossos alunos a resolver os seus próprios problemas ou a lidar com eles.
Estamos sempre buscando respostas antigas. De tanto estudar intelectuais estrangeiros nem ouvimos a quem nossos intelectuais brasileiros pensam e pesquisam.
Precisamos repensar o que estamos informando aos nossos jovens. Precisamos principalmente acordar para a diversidade do nosso país, das formas e formas de oferecer o conhecimento. As teorias pedagógicas não surtem efeito da mesma forma em todas as escolas. Não levamos em consideração a diversidade cultural de nosso país (não a diversidade geográfica) e a qualidade de uma escola não pode ser medida pela teoria pedagógica que apresenta.
Para determinada camada da população a escola conteúdista ainda se apresenta como fundamental para a aprendizagem, uma vez perpassa em nossa sociedade um pseudoconservadorismo. Para outra o estímulo a criatividade e ao espírito crítico deve ser incentivado (uma parcela bem menor, é verdade).
Entre os conceitos de aprendizagem pedagógica Jean Piaget (suíço) apresenta-se como o prestigiado do momento, com sua teoria do construtivismo, seguido de Emilia Ferrero (Argentina), e postulam a interação com a realidade, como forma de construir o conhecimento. Contradizendo a forma do aluno passivo (da escola tradicional) pressupõe uma troca de informações.
Para que possamos aplicar tal método é preciso conhecer o aluno, a realidade com a qual o mesmo vai lidar no seu dia-a-dia, aplicando métodos que o ajudem a crescer no conhecimento.
Perguntamos quantos de nós professores dispõem desse tempo para conhecer profundamente o nosso aluno a ponto de ajudá-lo na construção de seu conhecimento através das suas experiências cognitivas? Em uma sala de 20 alunos, quanto de tempo precisaríamos para dedicar a cada um deles? E se o conhecimento for construído coletivamente não fugiria a proposta inicial, uma vez que as realidades de cada um são peculiares, apesar das experiências comuns? E como funcionária essa “tese” nas “escolas públicas”. Precisaríamos de um envolvimento integral do professor para que pudéssemos levar a cabo tal proposta.
A cada ano, todo processo pedagógico deverá ser repensado, pois mudando os alunos muda o cenário, mudam, portanto as “falas” dos atores envolvidos.
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