segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Cenários Organizacionais

Cenários organizacionais têm exteriorizado contínuas mudanças estruturais, estratégicas e tecnológicas. Paralelo a estas mudanças concretiza-se a necessidade da complexa adaptação do papel do indivíduo que pensa e que dá vida ao ambiente organizacional. Todos os tipos de organizações, com ou sem fins lucrativos, de qualquer ramo de atividade, foram atingidas por todas estas transformações. O forte impacto causado pelas velozes mudanças repercutiu no processo decisorial, abalou e dificultou a condução eficiente e efetiva dos processos de gestão. Durante as últimas décadas a história tem ilustrado que as organizações de maior sucesso têm utilizado uma estratégia comum para tornarem-se competitivas e reconhecidas como organizações de vanguarda. A ênfase destas têm resistido seu foco no indivíduo, pois o retorno alcançado concretiza-se num planejamento estratégico, tático, operacional inovador e coerente com o cotidiano, consequentemente, com influências positivas no desenho organizacional, no estilo gerencial inteligente e nas habilidades e aptidões dos membros.
Com tantas transformações ocorridas nas empresas que são retratadas na história da evolução científica e tecnológica, é nítido o deslocamento do foco das organizações e, a devida relevância dada ao tema cultura organizacional que ocupou espaço na teoria administrativa. A cultura organizacional é composta de fontes como o macroambiente e filosofias originadas do interior das organizações, também chamadas de valores, normas, crenças e princípios-dominantes.
Os valores de uma organização precisam significar um pensamento estimulante que ultrapassa gerações e que leva a empresa de um ambiente tradicional para um ambiente de aprendizagem.

A POBREZA DOS RICOS

A POBREZA DOS RICOS

Cristovam Buarque

Em nenhum outro país os ricos demonstraram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos, modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus do subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.
Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a ir a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.
Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.
No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente. Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.
Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres.
Outro pensador que influencia as escolas, esse a meu ver com uma proposta em primeira instância antropológica, é o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934). Para ele o indivíduo é o resultado constante das influências dos processos internos e externos. Seria entretanto uma educação individualizada e voltaríamos a pergunta anterior.
Na verdade o que fazemos é andar em várias direções procurando a saída para a complexidade que é transmitir o conhecimento.
Nos últimos anos a palavra de ordem, principalmente na América Latina é reforma. Precisamos adequar as escolas aos novos tempos. No Brasil temos seis nomes em destaque: Edgar Morim (Francês), o suíço Phillippe Perrenoud, os espanhóis César Coll e Fernando Hernandez, o português Antonio Nóvoa e o colombiano Bernardo Toro (Não temos brasileiros pensantes?) O sucesso de todos está centrado em seus livros com temas pontuais.
Morim defende o problema da interligação do cotidiano e critica o ensino fragmentado (um pensamento que precisaríamos reformar toda uma cultura, pois a educação é reducionista em sua síntese e a interligação dos conhecimentos não poderia ser possível sem a amplitude do pensamento).
Perrenoud trabalha a educação por competências e voltamos para uma tendência reducionista. Hernandez defende a educação realizada por projetos de trabalho, em uma atuação conjunta de professores e alunos e nos preocupamos também com a questão da falta de tempo do professor para acompanhar esses projetos e a possibilidade de perder o foco do trabalho. Toro postula o ensino contextualizado. Mas que contextualização seria essa? Qual critério de escolha para o tema? Coll defende que o currículo precisa satisfazer a todos os níveis da escola. O que importa é o que o aluno aprende e não o que o conteúdo transmitido pelo professor. Nóvoa ensina que o professor deve manter-se atualizado sobre as novas tendências, as novas metodologias e desenvolver práticas pedagógicas eficientes. Isso demanda a formação continuada do professor.
Diante de tudo isso, não me sinto competente para analisar uma prática pedagógica em particular, até mesmo por entender que em determinadas ocasiões elas se entrelaçam em uma necessidade de completude.
Volto a repetir que em um país como o nosso é muito difícil aplicarmos teorias dissociadas da nossa realidade cultural. Vemos por vezes que a questão intuitiva do professor se faz presente na condução da aprendizagem e mesmo que uma determinada tendência pedagógica esteja sendo contemplada não se pode deixar de levar em conta que o saber social, o conjunto de conhecimentos, práticas, valores habilidades e tradições que possibilitam a sobrevivência da sociedade e garantem a sobrevivência da vida, estão envolvidas diretamente no processo ensino/aprendizagem. A escola é apenas o espaço onde parte do conhecimento é transmitido. A Família, os amigos, a igreja, os meios de comunicação, as empresas, o lazer, são outras fontes importantes de conhecimento do indivíduo.
Mobilizar essa estrutura de educação em nosso país (em todos os seus níveis) é convocar a vontade para atuar na busca de um propósito comum, sob um propósito comum, sob uma interpretação e um sentido também compartilhados.
Precisamos entender que temos muitas “linguagens”, precisamos compreender os fenômenos, tomar decisões, construir argumentos, intervir na realidade. Dessa maneira somos nós professores que precisamos achar o método correto para aprender a transmitir. Temos que pensar em tudo o que nós perdemos. No tempo em que repetíamos conhecimentos e nos negavam o direito de pensar, questionar, construir.

UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA PARA UMA REALIDADE TRANSLÓGICA

UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA PARA UMA REALIDADE TRANSLÓGICA


Sempre tive aulas expositivas. Professores que a mim pareciam tão distantes da sala de aula como distantes pareciam os assuntos que me obrigavam a aprender. Perguntei por muitas vezes para que serviriam tais conhecimentos e não sem uma certa tristeza (ou frustração) constatei que pouco serviram para minha vida. Antes tivesse aprendido a cozinhar ou arrumar bem um guarda-roupa que, latim, trigonometria, etc.
Não fique chocado com isso. Como professor (e estudante que foi) entende bem o que estou dizendo. Na verdade, os conhecimentos de sala de aula estão distanciados das nossas realidades que provocam pouco ou nenhum interesse aos nossos alunos.
Saímos da escola (ou da universidade) segurando uma colcha de retalhos e não sabemos exatamente o que fazer com ela. Nosso maior problema é pensar e levar a pensar.
Passamos uma infinidade de horas estudando pensadores de outras partes do mundo, que solucionaram problemas de suas épocas, mas não ensinamos aos nossos alunos a resolver os seus próprios problemas ou a lidar com eles.
Estamos sempre buscando respostas antigas. De tanto estudar intelectuais estrangeiros nem ouvimos a quem nossos intelectuais brasileiros pensam e pesquisam.
Precisamos repensar o que estamos informando aos nossos jovens. Precisamos principalmente acordar para a diversidade do nosso país, das formas e formas de oferecer o conhecimento. As teorias pedagógicas não surtem efeito da mesma forma em todas as escolas. Não levamos em consideração a diversidade cultural de nosso país (não a diversidade geográfica) e a qualidade de uma escola não pode ser medida pela teoria pedagógica que apresenta.
Para determinada camada da população a escola conteúdista ainda se apresenta como fundamental para a aprendizagem, uma vez perpassa em nossa sociedade um pseudoconservadorismo. Para outra o estímulo a criatividade e ao espírito crítico deve ser incentivado (uma parcela bem menor, é verdade).
Entre os conceitos de aprendizagem pedagógica Jean Piaget (suíço) apresenta-se como o prestigiado do momento, com sua teoria do construtivismo, seguido de Emilia Ferrero (Argentina), e postulam a interação com a realidade, como forma de construir o conhecimento. Contradizendo a forma do aluno passivo (da escola tradicional) pressupõe uma troca de informações.
Para que possamos aplicar tal método é preciso conhecer o aluno, a realidade com a qual o mesmo vai lidar no seu dia-a-dia, aplicando métodos que o ajudem a crescer no conhecimento.
Perguntamos quantos de nós professores dispõem desse tempo para conhecer profundamente o nosso aluno a ponto de ajudá-lo na construção de seu conhecimento através das suas experiências cognitivas? Em uma sala de 20 alunos, quanto de tempo precisaríamos para dedicar a cada um deles? E se o conhecimento for construído coletivamente não fugiria a proposta inicial, uma vez que as realidades de cada um são peculiares, apesar das experiências comuns? E como funcionária essa “tese” nas “escolas públicas”. Precisaríamos de um envolvimento integral do professor para que pudéssemos levar a cabo tal proposta.
A cada ano, todo processo pedagógico deverá ser repensado, pois mudando os alunos muda o cenário, mudam, portanto as “falas” dos atores envolvidos.